Após Romper com Trump, Musk Quer Ser Dono do Partido da América

Política em Debate é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por Política em Debate I Brasília, Em 02/07/2025, 18h00

Você não leu errado. Elon Musk, o homem mais rico do mundo, está em pânico. E o motivo é simples: dinheiro. Mais precisamente, a perspectiva de perder bilhões e até seu negócio Tesla se Trump aprovar no Senado e na Câmara o seu pacote fiscal.

No Senado, Musk já perdeu, mas as ameaças e pressão do bilionário sobre os senadores parece que surtiu algum efeito, ela rachou os republicanos, para alegria dos democratas, já que houve empate na votação. Atualmente o Senado dos EUA é controlado pelos republicanos, e na votação de ontem (01/07), que terminou 50 a 50, quem decidiu a favor de Trump foi o vice presidente J.D. Vance.

O pacote fiscal de Trump, considerado mal feito e um tiro no pé dos republicanos, prevê, dentre outras medidas impopulares, cortes nos programas de assistência alimentar e no Medicaid, que atende pessoas pobres e com deficiência. Esse corte vai impactar mais de 18 milhões de americanos, que ficarão sem qualquer tipo de assistência médico hospitalar de um dia para o outro. É o equivalente aqui no Brasil, de um dia para o outro, o Sistema Único de Saúde (SUS) não atender mais os pobres. E, olhando para o futuro, isso pode acontecer após 2026, se um candidato da extrema direita, como o governador Tarcísio de Freitas, se candidatar e sair vencedor. Não nos esqueçamos que uma das propostas do ministro da fazenda – Paulo Guedes – da administração fracassada Bolsonaro era essa: substituir a gratuidade de atendimento pelo SUS, trocando-a por um “vale em dinheiro” para consultas. Imagine se isso iria atender o cidadão. Claro que não. E no caso de uma internação prolongada? É essa a realidade que os 18 milhões de pobres americanos que dependem do Medicaid podem passar.

“Afim de contexto, 47 milhões dos americanos estão passando fome e/ou em permanente insegurança alimentar ( incluindo 14 milhões de crianças), para uma população de 341 milhões, o que representa de 13% a 14% da população, já o número de pessoas abaixo da linha de pobreza é de 37 milhõesInsegurança alimentar ocorre quando as pessoas não têm acesso físico, social ou econômico regular e suficiente a alimentos seguros, nutritivos e adequados para atender às suas necessidades dietéticas e preferências alimentares para uma vida ativa e saudável.“(Política em Debate)

Se o Congresso – Câmara e Senado – aprovar o “pacote”, a dívida pública dos EUA deve aumentar nos próximos anos em mais de US$ 5 trilhões. Para um país tecnicamente quebrado, com dívida que ultrapassa os US$ 36 trilhões, e em permanente déficit na balança comercial, parece que Trump espera que essa “bomba” exploda, no futuro, em uma outra administração e no colo do povo americano. Para quem queria uma “América Grande Novamente” não parece que ele esteja se saindo bem, ao contrário.

Entre os senadores republicanos, Rand Paul, Susan Collins e Thom Tillis romperam com o partido e votaram contra o projeto, alinhando-se aos democratas. O texto, que envolve trilhões de dólares, prevê cortes fiscais e aumento de recursos para a segurança nacional, financiados parcialmente por uma redução significativa nos programas sociais federais, como mencionamos.

Agora, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes antes de seguir para sanção presidencial. Os líderes republicanos estão empenhados em cumprir o prazo estabelecido por Trump, que deseja a aprovação até o dia 4 de julho. Uma data cheia de simbolismo para os americanos.

O processo no Comitê de Regras da Câmara deve ser longo, com debates previstos para várias horas. Caso o comitê aprove a proposta, a Câmara deve iniciar a discussão do projeto na manhã seguinte, às 10h (horário de Brasília).

Vamos aos fatos.

🔴 1. Trump quer cortar os subsídios para carros elétricos

Entre as novas propostas fiscais em tramitação no Congresso americano, apoiadas pela ala republicana trumpista, está o fim dos subsídios federais para a fabricação e compra de carros elétricos nos EUA.

Esses incentivos, criados durante governos democratas e mantidos parcialmente na administração Biden, foram fundamentais para o sucesso da Tesla, que vende veículos a preços até 20% menores graças aos descontos federais de incentivo à “energia limpa”.

💡 Sem esses subsídios, a Tesla perde competitividade diante de montadoras tradicionais, e das competidoras globais, como a chinesa BYD, que possuem cadeias de produção diversificadas e capital próprio muito mais estável que o de Musk.


🔴 2. Musk ameaça criar seu próprio partido

Diante da ameaça de Trump, que declarou publicamente que “Elon Musk só existe graças a subsídios e vamos cortar isso imediatamente” , Musk reagiu como um verdadeiro bilionário mimado: ameaçou criar um partido político próprio, o Partido da América, caso o projeto de corte de subsídios seja aprovado como está. Ele agora se candidata a também ser dono de partido político. Ambicioso. Os demais bilionários do “deep state” (estado profundo) se aliariam a ele? Não mais financiariam seus prepostos nos seios democrata e republicano? Surgiria assim a primeira plutocracia sem disfarces? Perguntas…

Sim, é isso mesmo. O dono do X (ex-Twitter), da Tesla e da SpaceX quer agora ser dono também de um partido político. Tudo em nome da defesa do “livre mercado” – livre para ele, com bilhões de dólares subsidiados pelo contribuinte americano.


🔴 3. Trump fala em deportação

Em resposta à ameaça de Musk, Trump ironizou:

“Vou dar uma olhada nessa coisa da deportação do Musk” .

Mas, na prática, isso não passa de bravata:

✅ Musk nasceu na África do Sul
✅ E é hoje cidadão naturalizado americano

Portanto, não pode ser deportado legalmente, exceto em casos extremos de fraude documental (não é o caso).


Qual será o final dessa novela?

Elon Musk quer salvar seu império às custas do contribuinte americano. Trump, aparentemente, paras os holofotes, quer destruir Musk talvez para agradar o lobby das petroleiras e fabricantes tradicionais. Entretanto, Trump ainda depende da SpaceX para manter os EUA na vanguarda tanto da “corrida” a lua, quanto para marte que, sejamos francos, parece mais uma “jogada de marketing” e auto promoção de Musk, do que um evento factível nos próximos anos. Quanto ao futuro da Tesla, Trump já frisou várias vezes que o americano tem o direito de escolher que tipo de carro quer dirigir, e que os elétricos não são a sua prioridade. A BYD e outras montadoras chinesas devem estar adorando tudo isso: torcendo pela briga.

Quem vai pagar o custo dessa briga entre Trump e Musk ainda é incerto. Mas, em geral, quando bilionários e populistas de direita brigam, adivinha quem paga a conta? Você.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *