Está claro que a recente megaoperação policial autorizada pelo governador Cláudio Castro, que resultou na morte de 134 pessoas — entre elas quatro policiais — não é um ato de bravura ou justiça, mas a expressão do sintoma de uma doença social grave: o desprezo pela vida de pobres e negros, muitos deles inocentes. O choque brutal que tomou os Complexos do Alemão e da Penha, mais do que um golpe contra o crime, expôs as raízes apodrecidas de um sistema corrompido e seletivo na aplicação da violência, que reproduz a desigualdade e alimenta uma barbárie institucionalizada.