Caio Fábio: A Arrogância Histórica de Israel Começou em Casa

A Bíblia apresenta a arrogância histórica de Israel

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Por Política em Debate I Brasília, Em 23/06/2025, 17h45

Se você acha que os conflitos em Israel começaram com os palestinos, talvez seja hora de ouvir o que pensa Caio Fábio, um dos pastores mais controversos — e lúcidos — da história evangélica brasileira. Não é qualquer um. Caio foi um dos maiores líderes do meio protestante nos anos 90, criador da Visão Nacional de Evangelização (Vinde) — um movimento que chegou a influenciar setores da política nacional —, até se decepcionar com os rumos do evangelismo e deixar o paraíso gospel por dizer verdades demais. Desde então, se transformou em um pensador teológico. Livre, crítico e com uma memória bíblica que constrange qualquer doutor de seminário.

Vídeo: A história bíblica e a arrogância de Israel

Num vídeo recente, Caio Fábio rasga o véu que muitos preferem manter intocado: a arrogância de Israel não nasceu com o sionismo moderno — ela vem de longe, do tempo das tribos de Jacó. E Caio faz questão de lembrar que o povo judeu, antes de odiar seus vizinhos, aprendeu a odiar a si mesmo. Norte contra sul. Samaria contra Jerusalém. Judeus contra judeus.

E é bom nos lembrarmos da famosa frase: “Quem odeia a si mesmo, odeia o outro com ainda mais força.” Pois é. Segundo Caio, Jerusalém sempre foi a capital da arrogância, do supremacismo e da autoglorificação.

Desde que Davi decidiu instalar em Jerusalém seu trono, a cidade se viu como centro do mundo. E isso criou, dentro do próprio povo de Israel, uma casta de “puros” contra “impuros”, que mais tarde se traduziria no ódio contra os samaritanos — os mesmos que, nos dias de Jesus, eram tratados como lixo étnico. Um lixo tão “palestino” quanto o povo de Gaza hoje.

Sim, você leu certo. Caio Fábio compara os samaritanos de dois mil anos atrás aos palestinos de hoje. O paralelo é direto. O desprezo, o nojo, o racismo interno. Aquilo que o discurso sionista gosta de esconder debaixo do tapete e chamar de “conflito de segurança”.

O mais esclarecedor da fala do Pastor Caio, no entanto, não está apenas na crítica ao presente, mas no mergulho no passado. Quando ele lembra que os judeus que voltaram do exílio babilônico (no sul) e os que voltaram do cativeiro assírio (no norte) passaram a se odiar ainda mais do que antes. Caio toca em uma ferida mal cicatrizada: Israel nunca foi um povo unido — nem espiritualmente, nem politicamente. Sempre houve desconfiança, orgulho, e um desejo de dominação de uns sobre os outros. Como se fossem inimigos, mesmo sendo filhos do mesmo pai: Jacó.

É libertador ouvir isso, principalmente vindo de um pastor evangélico. Porque, se nem entre si os israelitas conseguiam se amar, como esperar que eles tratem com justiça os que estão fora da linhagem, da fé, da terra, da “pureza”?

E mais: Caio ainda resgata um momento ignorado por muitos pregadores — o discurso de Estevão, o primeiro mártir cristão, em Atos dos Apóstolos, capítulo 7. Lá, Estevão não economiza adjetivos: chama o povo de Israel de “duro de coração”, “sem compaixão”, “resistente à verdade”, e termina apedrejado. Caio Fábio pega esse gancho e faz a ligação direta com os dias atuais. Porque, convenhamos, um povo que nunca aprendeu a lidar com seus próprios demônios dificilmente vai conseguir conviver com o diferente.

O vídeo completo está no YouTube (link aqui), e vale cada minuto. Mas já fica o aviso: não é para fanáticos. É para quem quer entender o conflito de Israel não apenas como uma guerra territorial, mas como um reflexo histórico de um povo que se quebrou por dentro antes de atacar o que está fora.

A arrogância de Israel não começou em Gaza. Começou em Jerusalém. Começou quando filhos de Jacó passaram a odiar outros filhos de Jacó.

E se a gente não entender isso, vai continuar achando que a violência de hoje é só uma resposta ao “terrorismo” — quando, na verdade, é apenas a repetição de uma história que insiste em não se arrepender de si mesma.

Referência desse artigo:

A BÍBLIA APRESENTA A ARROGÂNCIA HISTÓRICA DE ISRAEL.

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