Publicado em 31/03/2025, 18:15h
A Justiça francesa condenou Marine Le Pen, líder da extrema direita, a 4 anos de prisão e a 5 anos de inegibilidade, ficando assim proibida de se candidatar à eleição presidencial prevista para 2027. A decisão da Corte veio após a constatação de que ela, e outros membros do seu partido, usaram verbas do Parlamento Europeu, 4 milhões de euros, para criar um sistema de pagamentos fraudulento de contratos de trabalho.
O caso expõe uma contradição gritante: a mesma política que construiu sua imagem pública acusando a “velha política corrupta” é agora pega praticando justamente o que condenava. E esse tipo de comportamento não é novidade.
Investigações como essa não começaram agora. Em 2022, já haviam denúncias sobre o uso fraudulento de verbas europeias pelo partido de Le Pen, conforme apurado em processos posteriores.”

Se olharmos para o Brasil, vemos que esse padrão se repete. Jair Bolsonaro, que se vendeu como o combatente da corrupção, hoje responde a uma série de escândalos. Um dos mais emblemáticos é o caso das joias sauditas, recebidas indevidamente por ele e por auxiliares, sem registro oficial. Há também os gastos exorbitantes com o cartão corporativo, que contradizem a imagem de austeridade que ele tentava passar. Como resultado, Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político.
O filho mais velho, Flávio Bolsonaro, também não escapa. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por participação em um esquema de rachadinhas, no qual funcionários devolviam parte dos salários ao então deputado estadual. A compra de imóveis em dinheiro vivo e movimentações bancárias atípicas também levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro.
Outro membro da família, Jair Renan Bolsonaro, é investigado por tráfico de influência. Ele teria atuado junto a empresários suspeitos em troca de benefícios, utilizando estruturas do governo para favorecer esses contatos. Há indícios de que ele agiu como uma espécie de lobista informal.
Nos Estados Unidos, Donald Trump segue o mesmo roteiro. Enfrentou quatro processos criminais , incluindo tentativa de anular o resultado das eleições de 2020, retenção de documentos sigilosos e fraude contábil. Além disso, foi condenado civilmente por abuso sexual e difamação contra a jornalista E. Jean Carroll.
Ao seu lado, Steve Bannon — estrategista da ultradireita — foi condenado por desacato ao Congresso americano. Ele também se declarou culpado e foi condenado por participação em um esquema de fraude na arrecadação de fundos para a construção do muro na fronteira com o México.
Tudo isso desmonta a ilusão de que esses líderes representam algo novo. Eles não estão contra o sistema corrupto — eles são o sistema corrupto, só que com outra embalagem. Prometem limpeza ética, mas acumulam escândalos, processos, condenações e mentiras.
A extrema direita global se constrói em cima do medo, da desinformação e da manipulação. Apresentam-se como salvadores da pátria, mas agem como velhos coronéis disfarçados de modernidade. E o mais perigoso: tentam destruir a democracia por dentro, desacreditando as instituições democráticas e normalizando a violência política. A extrema direita se comporta como um vírus. Prospera na democracia para tentar destruí-la.
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A condenação de Marine Le Pen é um alerta. Mostra que ainda há freios institucionais funcionando — pelo menos por enquanto. Mas também nos lembra de que, sem vigilância constante e imprensa livre, o autoritarismo pode se enraizar. Informar-se, checar, questionar — essas são hoje formas de resistência.